"Não adianta tentar impor uma ditadura que o Estado de Mato Grosso não vai aceitar” O recado foi dado pelo delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), aos integrantes de uma facção criminosa que atuam no residencial Jacarandá, em Várzea Grande.
A declaração ocorreu após o avanço das investigações sobre o homicídio de José Wallefe, executado durante um chamado “tribunal do crime”, em agosto deste ano. Conforme apurado pela Polícia Civil, a vítima foi morta em meio à disputa entre facções criminosas, após integrantes do Comando Vermelho suspeitarem que ele teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante coletiva de imprensa realizada na semana passada, o delegado responsável pelo inquérito afirmou que a região vive sob forte influência de organizações criminosas, criando uma espécie de “ditadura” imposta pelo crime à população local.
Apesar do domínio exercido por faccionados, Nilson Farias reforçou que o controle do território é dever exclusivo do Estado.
“Não adianta tentar impor uma ditadura num local que o Estado de Mato Grosso não vai aceitar. Nós temos a Polícia Militar, a Polícia Civil. O governador do Estado, o tempo todo, bate na necessidade de não deixar nenhum grupo ou organização controlar uma área específica aqui em Mato Grosso”, afirmou.
Operação Ditadura Faccional CPX
Como desdobramento das investigações, a Polícia Civil deflagrou em 5 de novembro a Operação Ditadura Faccional CPX, com o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra suspeitos de homicídios em Cuiabá e Várzea Grande.
Um dos alvos da operação é justamente o mandante da execução do alagoano José Wallefe dos Santos, assassinado em decorrência da disputa entre facções criminosas. A região era chefiada por Bruno César Amorim Santos, de 38 anos, conhecido como “Véio” ou “Vasco”, que morreu durante o cumprimento de mandado de prisão.
Outro crime investigado é o homicídio de Edinaldo Honorato Lopes, de 36 anos, que teria motivação passional.
Ao todo, estão foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, com base em investigações da DHPP que apuram crimes de tortura, homicídio e ocultação de cadáver ocorridos no mês de agosto no município




